terça-feira, 29 de maio de 2012

Démodé.


1 - Garçom, nos veja mais dois chopp's e aquele torresmo no capricho.
2 - E Grande, se possível me traz um cinzeiro.
3 - Ok, é pra já!
1 - Impressionante.
2 - O quê?
1 - Como é possível matematicamente provar todos os seus próximos atos.
2 - Como assim!?
1 - Simples. Digamos que sua vida é um emaranhado de incógnitas, mas com uma única constante, que é você.
2 - Continue.
1 - E que se fosse capaz de eu saber todas essas incógnitas que tangeram sua vida, facilmente eu conseguiria prever seus atos futuros. Ou seja, se eu soubesse tudo que você passou, todas as escolhas que fez, às que não fez, qual foi o meio em que cresceu, quais pessoas te moldaram...
2 - Aonde você quer chegar?
1 - O que eu quero-te dizer é óbvio. Nós somos uma constante, o que muda a nossa volta é que realmente transforma as coisas. Você passa a pensar diferente porque algo aconteceu em sua vida. E não te mudou! Mudaram-se as incógnitas a sua volta, alterando a resolução final.
3 - Os dois chopp's no capricho.
1 - Obrigado.
2 - Então você está me dizendo que somos puras e simples equações matemáticas!?
1 - Quase que por aí, juntando com um pouquinho de química, biologia e talvez filosofia.
2 - Certo. Mas se você é capaz de ditar as ações futuras de alguém, isso não seria o tal do destino?
1 - Destino? Isso é muito démodé! A moda agora é ser racional.

domingo, 27 de maio de 2012

Próprio.

A -...mas me diz; você tá devendo uma conversa de ontem, lá do bar.
B - Ah, cara... Você não vai acreditar.
A - O que aconteceu?
B - Tô gostando dela.
A - Sério?
B - E de mãos e pés atados.
A - Como assim?
B - Meio que não tenho pra onde correr, sabe? Numa amizade, quando você começa a ver a pessoa de uma forma diferente e não é correspondido, as ações perdem expectativas.
A - Mas e aí? Vai desistir dela?
B - Cara, ainda nem pensei nisso. Não sei nem o que fazer...
A - Deixa estar, ué.
B - Mas e se...
A - Não, cara. Uma hora as coisas se encaixam.
B - Do nada?
A - Não; uma hora você vai ter que falar.
B - Tá vendo como é difícil? E é uma pessoa muito especial...
A - Sem esse papo de especial, cara. Dois anos atrás aquela beltrana era também muito especial pra você.
B - Puta, mas e aí, cara?
A - E aí que vai surgir uma hora que você vai ter que falar. E não pode escapar, hein?
B- Verdade... Poxa cara, valeu pelo conselho!
A - Tamos aí...
B - ...mas me diz: como sabe tudo isso, cara? Já viveu algo assim?
A - Digamos que... eu vivo assim.
B - Cruel hein... Mas deixa eu voltar pro serviço. Sexta à noite no bar do Joaquim, certo?
A - Fechado.
B - Abração, Pierrot!

Curupira

1 - Cara, você não vai acreditar!
2 - Que foi?
1 - Eu acabei de ver um unicórnio!
2 - Ahhh não! Lá vem você com essas de novo!
1 - Sério, te juro.
2 - Semana passada foi um OVNI. Dois meses atrás foi a fada do dente e no seu delírio mais abrasileirado de todos, o Curupira.
1 - Você é muito cético.
2 - O que será daqui a pouco? Um gnomo? Talvez o lobisomem?
1 - Eu te afirmo com toda a certeza que as coisas que eu vi, são reais.
2 - Reais são as minhas contas, o desemprego e essa corrupção toda no país. Essa bobagem toda não passa de coisas irreais. Imaginárias!
1 - Você observa tudo com muito pessimismo.
2 - Não é pessimismo, é realismo.
1 - Você não entende. A existência das coisas imaginárias é irrelevante. Elas podem ou não existir. A importância real de tudo isso é a crença que você tem nelas.

sábado, 26 de maio de 2012

Rusty

@ Rapaz, qual é a banda dessa música que cê tá ouvindo aí?
# Ah cara, é desse CD aqui.
@ Pô, bacana o som deles.
# É, é massa.
@ Mas pera lá, isso que eles tão falando aí - cê sabe o que quer dizer?
# Olha, traduzindo pro português, num faz sentido algum, mas acho que num é nada demais.
@ Pô, e tu ouve isso aí?
# Sim, ué. O som deles é bacana e eu curto.
@ Que ridículo você, nem sabe direito o que tá ouvindo.
# Eu? Eu que sou o ridículo quando você que carrega esse preconceito todo?
@ Ah, vá te catar! Baba ovo de estrangeiro!
# Meu, na boa - tu curte cachorro né? Até tem uns né?
@ Ih, ó lá. Tá vendo que vai perder a discussão, muda o argumento.
# Não velho, na boa, faz parte da coisa. Responde aí: tu tem quantos cachorros mesmo?
@ Tá beleza, vou entrar na sua - Curto sim, tenho 3.
# Tu sabe distinguir e traduzir o que quer dizer qualquer "AuAu" que eles lançam?
@ Porra velho, cê sabe que eu curto cachorro caralho, mas cê tá exagerando com issaê. Onde cê quer chegar?
# Tô tentando te mostrar, panaca, que nem sempre a gente precisa entender uma coisa pra gostar. Entendeu, otário?
@Pô, é mermo hein? Acho que cê tá certo.
# Agora enfia o seu rabo entre as pernas e cala a boca que tá chegando a parte do solo de guitarra, Lassie.

Persona


1 - Cheiro Verde perfumaria e cosméticos, bom dia. Com quem eu falo?
2 - Não sei.
1 - Como senhor? Pode repetir, por favor?
2 - Eu não sei.
1 - O senhor não sabe quem é?
2 - A última coisa que me recordo é ter discado esse número.
1 - Senhor, para sua segurança essa conversa está sendo gravada e...
2 - Me diz uma coisa.
1 - Claro!
2 - Quem é você?
1 - Bom, eu sou a atendente de telemarketing da Cheiro Verde perfum...
2 - Me diga seus atributos.
1 - Bem, isso não é de praxe nas nossas ligações, mas não vejo mal nisso. Sou loira, olhos castanhos, 1,67m, 56 quilos, sorriso largo...
2 - Gostaria de algo mais profundo e sincero. Sua personalidade.
1 - Não gosto muito de me gabar, mas diria que sou uma pessoa versátil e sem preconceitos. Adoro a leitura de um bom livro como os do Paulo Coelho. Sou ariana com ascendente em touro, por isso sou uma pessoa calma e tranquila, mas também um pouco insegura. Adoro novelas e sempre me mantenho atualizada nas coisas que acontecem no mundo. Logo agora que estamos bem, os gregos ferram com tudo né? Adoro uma boa conversa, acho que até por isso estou no emprego certo. Amo falar. Sou romântica e acredito no amor. Não bebo e não fumo. É contra minha religião, apesar de eu não ser muito praticante. Diria que tenho uma opinião forte...
2 - Lembrei.
1 - O quê? O senhor lembrou quem você é?
2 - Não, não. Lembrei o porquê prefiro saber quem eu não sou.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mushroom

X - Hey...
Y - Porra, você demorou pra cacete hein.
X - Ahhh relaxa ae...
Y - Conseguiu a paradinha?
X - Nem consegui, os coxinha tava em cima.
Z - Tentasse em outro lugar, e agora como faz?
Y - Eu queria a verdinha pra dormir bem.
Z - Que que é esse bagulho verde ai na sua mão?
X - Cogumelo.
Y - Cogumelo?!?!?!
Z - Quem te deu?
X - O Mario.
Y/Z - Que Mario?
X - Aquele que te comeu atras do armario.
Y - Gracinha.
Z - Mas que que você ta fazendo andando com um cogumelo verde por aí?
X - É que eu to curtindo a vida.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Favor

1 O Véi, cê pode fazer aquela paradinha lá pra mim?
2 "Véi"? Rapaz, tu sabes quantos anos eu tenho?
1 Xiii Véi!
2 De novo com esse "véi"? Rapaz, eu tenho 21 anos! Que papo de "véi" é esse?
1 Meu, na boa!
2 "Na boa"? "Na boa" o quê?
1 Mano! Cê tá me tirando do sério!
2 "Mano"? Eu? "Mano"? Mas nem hip hop eu ouço!
1 Cara, pára com essa paranóia! Tá ficando chato!
2 "Paranóico"? Logo eu que sou tão bem resolvido, você chama de "paranóico"?
1 Bem Resolvido? Você?
2 Ó lá! Tá vendo? Eu num posso falar uma coisinha que você começa!
1 Depois dessa, tô vazando!
2 "Vazando"? Por onde? Já foi no médico ver isso?
1 Ahpaputaqueparil.

Simulacro.

A – Legal essa sua idéia de blog de diálogos...
B – Bacana, né?
A – Legal. Meio infantil, mas legal...
B – Infantil? Why?
A – Tipo, coisa de menino maluquinho ficar escrevendo à toa, inventando...
B – O menino maluquinho tinha um blog de diálogos?
A – Não, você não entendeu. É que ficar escrevendo assim é meio... Pollyana, sabe?
B – Aquela mina do livro curtia um diário, não?
A – É, mas eu me refiro ao fato de ser narrado...
B – Mas diálogos não são narrados.
A – Não. Você não entendeu de novo. É que...
B – Não é normal escrever diálogos e sair postando por aí, é isso?
A – Mais ou menos... É que...
B – Quer dizer que eu tenho que escutar pagode e ler Capricho, é isso?
A – Não, cara. É que...
B – Quer dizer que eu tenho que ver a PORRA DA MALHAÇÃO e ouvir calado as gírias de bosta daqueles arrombados?
A – Não, cara. Não foi isso qu...
B – Quer dizer que bom mesmo é pagar de gostoso com meu pitbull de orelha em pé dentro de um Golf fudido com um aerofólio igual a piso de ônibus?!?
A – EI! Não fala mal do aerofólio do meu carro!


 (...)