terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Rua.


F1 - Acontece nas melhores famílias.
F2 - O que?
F1 - Ué, as coisas que sempre acontecem nas melhores famílias!
F2 - E quais seriam?
F1 - Ah cara, você sabe! Aquilo que já aconteceu contigo algumas vezes
F2 - Comigo?
F1 - Sim.
F2 - Contigo?
F1 - Também.
F2 - Melhores famílias?
F1 - Isto!
F2 - Estranho, mas até onde eu me lembro nós dois fomos abandonados crianças, vivemos na rua e a marginalizados na sociedade.
F1 - Exatamente.
F2 - Exatamente o que!?
F1 - Acontece nas melhores famílias.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Palavra



- Qual é para você a maior invenção feita pelo homem?
- Eu teria que dizer a palavra.
- A palavra?
- Sim, a palavra.
- Porque?
- Porque a palavra tem tudo. Tem a força de mudar uma opinião. Tem a leveza de um elogio e o peso de um xingamento. Ela nos dá nome e sobrenome. Faz quem a domina, sábio. Quem a não entende, pobre. Com ela um homem pode criar exércitos, ou pode criar um livro. Na sua ausência nos traz incertezas e medo, mas basta uma palavra da pessoa certa que nos conforta e dá segurança. Pode fazer o mais rude chorar. Como também o mais fraco sorrir. Ela dá base a uma idéia e confirma um pensamento. A palavra é meio que um resumo da vida, sem ela nada disso teria sentido. Apesar de não custar nada, a palavra tem que ser usada com muito cuidado. Porque na hora pode não parecer mas a palavra que sai da sua boca será a mesma que chegará ao seus ouvidos.
- Palavras bem ditas eu diria.
- Obrigado! Eu as meço bem.
- E que tamanho elas tem?
- O tamanho que se queira dar.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Empresas.


1- E agora em pauta na reunião o desempenho dos funcionários e quais as medidas cabíveis a tomar-se em cada caso.
2- Analisando numericamente 80% deles tiveram um rendimento razoável, 15% insatisfatório, 3% acima da média e 2% sequer trabalharam...
3- Eu proponho ao presidente desta organização respeitosa que tome atitudes sérias e firmes.
2- Mas...
3- Mas o quê? Vê-se claramente que 80% deles são trabalhadores fiéis à empresa e merecem melhores condições, vemos que 15% deles merecem uma análise comportamental e descobrir o porquê do rendimento abaixo do esperado, 3% merecem aumento e 2% são óbvios vagabundos, ou melhor, parasitas! Eu proponho a demissão destes.
4- Concordo plenamente.
2- Mas presidente!
4- O que foi dessa vez?
2- Os 2% somos nós.
(...)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

13 de Junho.


1- Graças a Deus!
2- O quê, meu irmão?
1- Que o dia dos namorados passou e acabou-se toda essa palhaçada sem sentido!
2- Que palhaçada? Para quê tanto ódio nesse seu coração!?
1- Não é ódio, raiva e nem ressentimento.
2- É o quê então!?
1- É simplesmente enxergar os fatos! Posso te provar que dia dos namorados é uma data capitalista baseada em três grandes acontecimentos simultâneos e ordinários.
2- Quais seriam?
1- Primeiro a mentira, depois consumismo e claro, não podemos esquecer da hipocrisia.
2- Ok, comece.
1- Fato número um. Você acorda e tem aquele sentimentozinho de “love is in the air”. Você liga o rádiozinho é “eu te amo” para cázinho. Liga a Tvzinha é “não sei viver sem você” para lázinho. Anda na ruazinha estão todos abraçadinhos. E outras tantos porçoes de "zinhos". Sendo que a maioria dessas pessoas nem se ama realmente, dizem e fazem tudo da boca para fora. Sem sentir! Aí é que entra o capitalismo fazendo as pessoas mentirem uma para outras, para que elas se sintam ao menos por um dia, importantes.
2- Pesado. Mas e aquelas que realmente amam umas às outras?
1- É aqui que entra o fato número dois. O consumismo. Aquelas que se amam querem dar para seus cônjuges o maior e melhor presentes de todos. E claro, isso envolve ser o mais caro pois só assim o parceiro reconhecerá o quanto é amado e querido. Isso sem contar que querem mostrar para Deus e o mundo o quanto o seu presente foi bom, só para os outros sentirem-se mal. Aí entra o capitalismo fazendo as pessoas aderirem a um consumismo frenético e desenfreado.
2- É, pensando por esse lado. E o terceiro fato?
1- A hipocrisia. Que é a que mais me irrita. É aquela pessoa sem namorado ou namorada que comenta no dia dos namorados superconfiante de si mesma. Auto estima lá em cima, fazendo pouco caso dos enamorados, quando na verdade queriam estar namorando, ou no minimo ter alguém naquele dia. Dizem ser autossuficientes com sua família e amigos mas na verdade estão implorando por compaixão e afeto alheio. É o capitalismo fazendo as pessoas serem hipócritas.
2- Caramba....você tem razão.
(….)
3- Oi amor!
1- Oi minha linda.
3- Adorei o dia ontem viu. Foi tudo muito especial.
2- Mas espera aí! Que isso? E o todo aquele papo do capitalismo, hipocrisia, do consumismo?
1- Ahhh meu caro amigo, você sabe como é né? É o amor!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

ıuʌǝɹʇıpo


c – Eu realmente não compreendo porque as pessoas me julgam ser anti-social ou essas baboseiras do tipo.
ɔ - Talvez por esse seu jeito mais introspectivo, conservador, preservado...
c - Ok ok. Admito que as vezes sou meio tímido...
ɔ - Meio tímido? Você tinha vergonha de responder a chamada na sala de aula.
c - Isso me deu um problemão de faltas não é mesmo?
ɔ - Exato. Você fez recuperação mesmo com notas excelentes devido às suas ausências presentes. Sem contar, logicamente, os outros tantos absurdos.
c - E quais seriam esses tamanhos absurdos, posso saber?
ɔ - Você ainda me pergunta? Quem é que toma banho vestido? Escova os dentes de boca fechada? E se esqueceu que você não responde e-mails por vergonha das respostas?
c - Tudo bem! Já chega. Você tem certa razão.
ɔ - Certa razão? Eu tenho absoluta razão!
c - Como é que você pode ter tanta confiança assim de que está certo, seu sabichão?
ɔ - Pelo simples fato de que não sou eu quem está falando com o próprio espelho...
c/ɔ - Ou talvez seja?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cosa Nostra.


A – Quer dizer então que o blog tá vingando, então.
B – Até onde eu percebo, sim...
A – E tá dando repercussão?
B – Não sei. Talvez...
A – Como, não sabe? Não quis medir?
B – Não. É hobby, entende?
A – Ah, então não se importa se os outros não lerem?
B – Minha galera, e já está de bom tamanho...
A – Ah, é? Sua “galera” é quem, afinal?
B – Os que postam, os que tropeçam por aqui...
A – Então você tem colunistas.
B – Sim, mas prefiro chama-los de amigos.
A – Meio clube do Bolinha esse esquema aí...
B – Tem a Luluzinha, mas ela tá meio atarefada. E existirão outras, também.
A – A intenção é expandir.
B – Quem sabe... Mas isso tudo aqui é hobby, cara.
A – Saquei... Mas, ah...
B – O quê?
A – Na boa: vocês não tem mais o que fazer, não?
B – Sim. Nós vivemos. E observamos. E refletimos. E viemos aqui e escrevemos.

domingo, 3 de junho de 2012

Vontade

X - Ai amor, só uma vai..
Y - Nem pensar, vc perdeu o juizo. Não sei porque vocês homens fantasiam tanto com isso.
X - Mas amor ninguém vai ver, só eu.
Y - Você ta cansado de saber que isso não da certo.
X - Mas você prometeu...
Y - Quando isso?
X - No dia que a gente viu na vitrine
Y - Uhun... Sei...
X - É sério benzinho, você tava toda animadinha.
Y - Mas agora não to mais.
X - Ahh então é assim, na hora de satisfazer as suas vontades tudo bem, eu sirvo, mas agora quando eu quero alguma coisa que você mesma prometeu vc "não ta animada"?
Y - Não comece
X - Vai amor, poxa, to te pedindo com tanto carinho, ven aqui, deixa eu pedir no seu ouvidinho...
Y - .....................assim é covardia mor, você sabe que me deixa toda mole assim...................para.....para....ai ta bom eu topo, mas você tem que me prometer que ninguém vai saber disso, promete?
X - Claro amor, eu disse que só eu vou ver...
Y - Ta bom... Mas tem uma condição.
X - Qual?
Y - Eu vou ser o Player 1 porque eu não sei jogar do lado direito da tela.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Imaculada (pt.2)


O – Pensar? Pensar o quê? Eu já passei tempo demais aqui esperando uma resposta. É simples: você quer ou não? Se você gostar, diz que quer, se não, não. Simples, rápido e fácil. Cansei dos seus jogos e provocações.
A – Hahaha. Você me faz rir e muito!
O- Você ri por medo, por não querer tentar aceitar a verdade.
A – Verdade? Que verdade?
O – Que você sempre quis alguém que gostasse de você desse jeito, e te tratasse assim, como eu faço.
A – E quem disse que EU queria alguém com essa atitude antiquada feita a sua?
O – Tá mais do que na cara isso! Olha pra você:  toda certinha, toda correta e cheia de pudores! Você sabe que tem o homem que quer a seus pés! Pra qualquer um que você der uma leve inclinada, ele já baba! Mas pra quê pegar qualquer? Do que valerá toda essa sua atitude, toda essa sua candura? Você com certeza procura alguém que te trate bem, que não queira só ter você ao lado, mas sim viver com você e ao seu lado. – E mais: Antiquado foi aquele seu papo de promessa. Sinceramente, eu num acredito nele não.
A – Pois devia!
O – Pra quê? Pra juntar erroneamente mais uma peça perdida ao seu quebra cabeça com mais de 2 mil, e sem dica de montagem?
A – Seu tonto.
O – Quer saber de uma coisa?
A – Ai! Cuidado com meu braço, cê tá me machuc –
(...)
A – Porquê você fez isso? Quando eu te dei essa liberdade?
O – A tua própria boca queria! E você bem que podia ter me empurrado, mas mal ofereceu resistência.
A – Pára com isso, eu tô confusa agora.
O – Você sempre esteve confusa, confessa vai.
A – Olha, a gente pode falar disso outro dia.
O – Mesmo que esse dia nunca chegue, eu vou esperar.
A – Amanhã tá bom? Aqui, umas 15h?
O – Nossa!
A – Não me leva a mal. É que eu preciso de hoje pra pensar. Entender o que aconteceu.
O – É simples: sim, foi um beijo. Com língua e tudo. Amanhã, as 15h, aqui. Seja breve – sim ou não. Adeus.
A – Não sei o que será amanhã, mas até lá, decido. Adeus.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Démodé.


1 - Garçom, nos veja mais dois chopp's e aquele torresmo no capricho.
2 - E Grande, se possível me traz um cinzeiro.
3 - Ok, é pra já!
1 - Impressionante.
2 - O quê?
1 - Como é possível matematicamente provar todos os seus próximos atos.
2 - Como assim!?
1 - Simples. Digamos que sua vida é um emaranhado de incógnitas, mas com uma única constante, que é você.
2 - Continue.
1 - E que se fosse capaz de eu saber todas essas incógnitas que tangeram sua vida, facilmente eu conseguiria prever seus atos futuros. Ou seja, se eu soubesse tudo que você passou, todas as escolhas que fez, às que não fez, qual foi o meio em que cresceu, quais pessoas te moldaram...
2 - Aonde você quer chegar?
1 - O que eu quero-te dizer é óbvio. Nós somos uma constante, o que muda a nossa volta é que realmente transforma as coisas. Você passa a pensar diferente porque algo aconteceu em sua vida. E não te mudou! Mudaram-se as incógnitas a sua volta, alterando a resolução final.
3 - Os dois chopp's no capricho.
1 - Obrigado.
2 - Então você está me dizendo que somos puras e simples equações matemáticas!?
1 - Quase que por aí, juntando com um pouquinho de química, biologia e talvez filosofia.
2 - Certo. Mas se você é capaz de ditar as ações futuras de alguém, isso não seria o tal do destino?
1 - Destino? Isso é muito démodé! A moda agora é ser racional.

domingo, 27 de maio de 2012

Próprio.

A -...mas me diz; você tá devendo uma conversa de ontem, lá do bar.
B - Ah, cara... Você não vai acreditar.
A - O que aconteceu?
B - Tô gostando dela.
A - Sério?
B - E de mãos e pés atados.
A - Como assim?
B - Meio que não tenho pra onde correr, sabe? Numa amizade, quando você começa a ver a pessoa de uma forma diferente e não é correspondido, as ações perdem expectativas.
A - Mas e aí? Vai desistir dela?
B - Cara, ainda nem pensei nisso. Não sei nem o que fazer...
A - Deixa estar, ué.
B - Mas e se...
A - Não, cara. Uma hora as coisas se encaixam.
B - Do nada?
A - Não; uma hora você vai ter que falar.
B - Tá vendo como é difícil? E é uma pessoa muito especial...
A - Sem esse papo de especial, cara. Dois anos atrás aquela beltrana era também muito especial pra você.
B - Puta, mas e aí, cara?
A - E aí que vai surgir uma hora que você vai ter que falar. E não pode escapar, hein?
B- Verdade... Poxa cara, valeu pelo conselho!
A - Tamos aí...
B - ...mas me diz: como sabe tudo isso, cara? Já viveu algo assim?
A - Digamos que... eu vivo assim.
B - Cruel hein... Mas deixa eu voltar pro serviço. Sexta à noite no bar do Joaquim, certo?
A - Fechado.
B - Abração, Pierrot!

Curupira

1 - Cara, você não vai acreditar!
2 - Que foi?
1 - Eu acabei de ver um unicórnio!
2 - Ahhh não! Lá vem você com essas de novo!
1 - Sério, te juro.
2 - Semana passada foi um OVNI. Dois meses atrás foi a fada do dente e no seu delírio mais abrasileirado de todos, o Curupira.
1 - Você é muito cético.
2 - O que será daqui a pouco? Um gnomo? Talvez o lobisomem?
1 - Eu te afirmo com toda a certeza que as coisas que eu vi, são reais.
2 - Reais são as minhas contas, o desemprego e essa corrupção toda no país. Essa bobagem toda não passa de coisas irreais. Imaginárias!
1 - Você observa tudo com muito pessimismo.
2 - Não é pessimismo, é realismo.
1 - Você não entende. A existência das coisas imaginárias é irrelevante. Elas podem ou não existir. A importância real de tudo isso é a crença que você tem nelas.

sábado, 26 de maio de 2012

Rusty

@ Rapaz, qual é a banda dessa música que cê tá ouvindo aí?
# Ah cara, é desse CD aqui.
@ Pô, bacana o som deles.
# É, é massa.
@ Mas pera lá, isso que eles tão falando aí - cê sabe o que quer dizer?
# Olha, traduzindo pro português, num faz sentido algum, mas acho que num é nada demais.
@ Pô, e tu ouve isso aí?
# Sim, ué. O som deles é bacana e eu curto.
@ Que ridículo você, nem sabe direito o que tá ouvindo.
# Eu? Eu que sou o ridículo quando você que carrega esse preconceito todo?
@ Ah, vá te catar! Baba ovo de estrangeiro!
# Meu, na boa - tu curte cachorro né? Até tem uns né?
@ Ih, ó lá. Tá vendo que vai perder a discussão, muda o argumento.
# Não velho, na boa, faz parte da coisa. Responde aí: tu tem quantos cachorros mesmo?
@ Tá beleza, vou entrar na sua - Curto sim, tenho 3.
# Tu sabe distinguir e traduzir o que quer dizer qualquer "AuAu" que eles lançam?
@ Porra velho, cê sabe que eu curto cachorro caralho, mas cê tá exagerando com issaê. Onde cê quer chegar?
# Tô tentando te mostrar, panaca, que nem sempre a gente precisa entender uma coisa pra gostar. Entendeu, otário?
@Pô, é mermo hein? Acho que cê tá certo.
# Agora enfia o seu rabo entre as pernas e cala a boca que tá chegando a parte do solo de guitarra, Lassie.

Persona


1 - Cheiro Verde perfumaria e cosméticos, bom dia. Com quem eu falo?
2 - Não sei.
1 - Como senhor? Pode repetir, por favor?
2 - Eu não sei.
1 - O senhor não sabe quem é?
2 - A última coisa que me recordo é ter discado esse número.
1 - Senhor, para sua segurança essa conversa está sendo gravada e...
2 - Me diz uma coisa.
1 - Claro!
2 - Quem é você?
1 - Bom, eu sou a atendente de telemarketing da Cheiro Verde perfum...
2 - Me diga seus atributos.
1 - Bem, isso não é de praxe nas nossas ligações, mas não vejo mal nisso. Sou loira, olhos castanhos, 1,67m, 56 quilos, sorriso largo...
2 - Gostaria de algo mais profundo e sincero. Sua personalidade.
1 - Não gosto muito de me gabar, mas diria que sou uma pessoa versátil e sem preconceitos. Adoro a leitura de um bom livro como os do Paulo Coelho. Sou ariana com ascendente em touro, por isso sou uma pessoa calma e tranquila, mas também um pouco insegura. Adoro novelas e sempre me mantenho atualizada nas coisas que acontecem no mundo. Logo agora que estamos bem, os gregos ferram com tudo né? Adoro uma boa conversa, acho que até por isso estou no emprego certo. Amo falar. Sou romântica e acredito no amor. Não bebo e não fumo. É contra minha religião, apesar de eu não ser muito praticante. Diria que tenho uma opinião forte...
2 - Lembrei.
1 - O quê? O senhor lembrou quem você é?
2 - Não, não. Lembrei o porquê prefiro saber quem eu não sou.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mushroom

X - Hey...
Y - Porra, você demorou pra cacete hein.
X - Ahhh relaxa ae...
Y - Conseguiu a paradinha?
X - Nem consegui, os coxinha tava em cima.
Z - Tentasse em outro lugar, e agora como faz?
Y - Eu queria a verdinha pra dormir bem.
Z - Que que é esse bagulho verde ai na sua mão?
X - Cogumelo.
Y - Cogumelo?!?!?!
Z - Quem te deu?
X - O Mario.
Y/Z - Que Mario?
X - Aquele que te comeu atras do armario.
Y - Gracinha.
Z - Mas que que você ta fazendo andando com um cogumelo verde por aí?
X - É que eu to curtindo a vida.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Favor

1 O Véi, cê pode fazer aquela paradinha lá pra mim?
2 "Véi"? Rapaz, tu sabes quantos anos eu tenho?
1 Xiii Véi!
2 De novo com esse "véi"? Rapaz, eu tenho 21 anos! Que papo de "véi" é esse?
1 Meu, na boa!
2 "Na boa"? "Na boa" o quê?
1 Mano! Cê tá me tirando do sério!
2 "Mano"? Eu? "Mano"? Mas nem hip hop eu ouço!
1 Cara, pára com essa paranóia! Tá ficando chato!
2 "Paranóico"? Logo eu que sou tão bem resolvido, você chama de "paranóico"?
1 Bem Resolvido? Você?
2 Ó lá! Tá vendo? Eu num posso falar uma coisinha que você começa!
1 Depois dessa, tô vazando!
2 "Vazando"? Por onde? Já foi no médico ver isso?
1 Ahpaputaqueparil.

Simulacro.

A – Legal essa sua idéia de blog de diálogos...
B – Bacana, né?
A – Legal. Meio infantil, mas legal...
B – Infantil? Why?
A – Tipo, coisa de menino maluquinho ficar escrevendo à toa, inventando...
B – O menino maluquinho tinha um blog de diálogos?
A – Não, você não entendeu. É que ficar escrevendo assim é meio... Pollyana, sabe?
B – Aquela mina do livro curtia um diário, não?
A – É, mas eu me refiro ao fato de ser narrado...
B – Mas diálogos não são narrados.
A – Não. Você não entendeu de novo. É que...
B – Não é normal escrever diálogos e sair postando por aí, é isso?
A – Mais ou menos... É que...
B – Quer dizer que eu tenho que escutar pagode e ler Capricho, é isso?
A – Não, cara. É que...
B – Quer dizer que eu tenho que ver a PORRA DA MALHAÇÃO e ouvir calado as gírias de bosta daqueles arrombados?
A – Não, cara. Não foi isso qu...
B – Quer dizer que bom mesmo é pagar de gostoso com meu pitbull de orelha em pé dentro de um Golf fudido com um aerofólio igual a piso de ônibus?!?
A – EI! Não fala mal do aerofólio do meu carro!


 (...)